08/07/2011
Felino na janela
28/04/2011
Se o amor não for correspondido
Se o amor não for correspondido;
Distrair-me-ei com outras coisas;
Aproveitarei a boemia com meus grandes amigos;
Música ambiente, cigarros e vinhos.
Se o amor não for correspondido;
Ficarei a ouvir os pingos de chuva na janela;
Lembrarei a todo o momento, de hora em hora;
Da frase que diz que chove mais do lado de dentro do que de fora.
Se o amor não for correspondido;
Acenderei meu cigarro e tomarei meu vinho;
Beberei a cor do amor e expirarei minh’alma;
E quando eu estiver novamente com os pés no chão;
Vou devorá-la com os olhos e guardá-la dentro de mim, para sempre.
06/04/2011
O coração que anseia sentir o mundo
No tempo de Fernando Pessoa, o poeta era um fingidor. Hoje não é preciso ser poeta; basta estar vivo para escolher seu lugar no baile de máscaras. Se você não participa, assiste, e portanto, faz parte deste universo. Ontem, víamos aquele indivíduo observando um mundo de possibilidades entre os integrantes. Hoje, ele se arrisca no palco principal, mesmo com o veneno implícito no ar. A busca pela verdade o motivou a escolher a máscara de Hórus para usar. Quanta ironia.
19/03/2011
Vertigens da memória [parte III]
Os antigos nômades eram sábios, mesmo que não percebessem o quanto. O constante deslocamento em busca de um estilo de vida melhor não dava trégua para lembranças, pois é muito mais fácil partir do que ficar. Quem se muda para outra cidade, por exemplo, não se apegará tanto ao passado quanto aquele que permaneceu, como um cão de guarda, esperando o grande amigo voltar para matar as saudades.
24/10/2010
Concretizando o abstrato
Como seria o nosso mundo se tudo o que é abstrato fosse concreto, palpável, e ainda por cima, estivesse à venda? Imagine se pudéssemos comprar uma dose de tempo, alguns grãos de sabedoria, ou até mesmo muitas porções de felicidade. Quais seriam nossos conceitos se fosse possível concretizar o abstrato?
19/09/2010
Vida em excesso: vinho, virtude ou poesia
Entre os dias rotineiros e os especiais, ecoam milhares de risos, sorrisos, planejamentos, lembranças, esperanças e muitas surpresas. Charles Baudelaire já falava disso implicitamente no poema “Embriagai-vos”, no qual o poeta traçava um ideal calcado no exagero e na absorção completa do mundo, de todas as maneiras possíveis. O importante é nunca deixar que o tempo torne-se um peso em nossa vida, e uma das maneiras de evitar que isso aconteça é encontrarmos a nossos próprios meios de descontração.
22/08/2010
Vertigens da memória [Parte II]
Por que nossas lembranças são sempre enubladas e confusas? Os fatos que recordamos nunca são íntegros e transparentes como deveriam ser. Quando gostamos muito de alguma experiência vivida, lembramos com afeto e felicidade; o mesmo acontece com o oposto, quando nos lembramos dos fatos ruins de uma maneira pior do que eles eram. Me vem à cabeça o eterno questionamento que parece não me largar: quando nos sentiremos totalmente livres das vertigens de nossa memória?
01/08/2010
Os pés que caminham pelo mundo
Aquele indivíduo que caminhava com passos firmes decidiu não criar tantas expectativas com relação ao universo ao seu redor, e aos poucos isso o deixou mais tranqüilo. Muitos dias se passaram, e surgiu algo que o marcou, em uma manhã especial em que ele teve uma grata surpresa. Em uma das ruas na qual caminhava, uma cerejeira trocava suas flores brancas, que caíam na calçada. Este fato passava quase que despercebido por muitos que passavam por ali, mas ganhou um grande significado na vida daquele jovem de olhos curiosos.
